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crônicas, contos e poesias

domingo, 22 de janeiro de 2012

A arte de fazer bico

Podemos definir as numerações das principais artes em: Música, dança, pintura, escultura, teatro, pintura, cinema, fotografia, arte digital em geral e etc, todos em ordem crescente, referindo-se ao hábito de estabelecer números para designar manifestações artísticas,  tendo como exemplo a forma que Ricciotto Canuto se referia ao cinema, afirmando que ela era a 7ºarte em 1911.
Mas o tempo passou de lá pra cá, várias descobertas na forma de expressar sentimentos ocorreram além das já citadas e ninguém ousou em incluir como arte o ato de fazer 'bico'. Sim, isso mesmo, fazer bico, comprimir os músculos da face e dos lábios jogando-o pra frente, fazendo ou não rugas em volta da boca, tendo gente, ou artista, se é que podemos falar assim uma vez que fazer bico pode ser arte, que até fecha os olhos, dando maior ênfase emocional ao simples ato de fazer isso.
Os bicos, geralmente fazem parte da anatomia externa das aves, que é composto de uma mandíbula superior, o chamado maxilar, e uma parte inferior chamada de mandíbula, podendo variar de tamanho e forma de espécie para espécie.
No caso dos seres humanos, variam de sentimento pra sentimento pessoal, por exemplo: Na adolescência é comum os garotos acordarem e ainda sonolentos, levantarem da cama e ir direto pro sofá da sala sem arrumar a cama, escovar os dentes, pentear os cabelos e assim por diante e, basta ser repreendido pelo pai, ou pela mãe, ou por quem zela pela sua educação que esse indivíduo se torna um artista fazendo bico em sinal de "não gostei".
E ainda falando dos adolescentes, mas especificamente meninas, elas se reúnem no banheiro, de frente pro espelho e tiram várias fotos fazendo 'biquinhos', coincidentemente sem uma combinar com a outra, exibindo-as depois em páginas de redes sociais. São artistas que se reúnem, que se identificam nessa tribo juvenil e atual, trocando fotos fazendo 'bicos' diante de um espelho qualquer, que certamente eu iria morrer sem saber, que de repente pode expressar frases do tipo: "Essa balada ta legal" ou "Ai! Como eu to gatinha hoje" ou até "Sou fã do Restart" em uma simples expressão facial.
Os bicos dos casais de namorados vivem se encontrando por diversas vezes dando estalos molhados um no outro, ou percorrendo o corpo de ambos num climax alterado de amor, mas... Essa parte 'pula'.
Biquinhos femininos, coloridos de batom ou gloss, que brilham e encantam qualquer homem quando elas a intimam num beijo gostoso ou singelo selinho.
Cômicos são os bicos que as crianças fazem quando comem algo que não gosta, ou quando esta com fome, ou quando quer dizer algo que não consegue por ainda não dotar o dom de falar. Engraçado são os macacos no zoológico, que se exibem fazendo bico, batendo as mãos com os punhos cerrados no peito e pulando pra lá e pra cá dentro da jaula.
O malandro só é malandro quando faz bico, pois sem fazer bico não é malandro, por exemplo, imagine a frase: "Ta me tirando vacilão", dita naturalmente, sem fazer bico, imaginou? Agora imagina a mesma frase dita pelo malandro fazendo bico, além da ginga toda que só o malandro tem. Sentiu como ela ganha força e o quanto ela inibe o adversário?
Sendo assim, podemos dizer que o país com o maior número de artistas é frança, porém o jeito de falar deles é fazendo biquinho.
Pierre Weil e Roland Tompakow escreveram um livro chamado "O corpo fala" aonde os escritores definem a linguagem silenciosa da comunicação não-verbal.
Você viu o quanto cada gesto mesmo sendo ele involuntário pode transmitir uma comunicação, cujo identificamos o que o outro indivíduo sente, claro que ás vezes nos enganamos, aonde nos esclarecemos melhor tal ato, perguntando ao outro pra se ter certeza maior do que você entendeu, mas desses inúmeros gestuais físicos naturais do homem, nada se compara ao de fazer bico, aonde aqui, carinhosamente chamei de arte.

sábado, 14 de janeiro de 2012

10 meia 1

Regente Feijó

Considerado um dos fundadores do Partido Liberal, era um professor de História, Geografia e Francês, se estabelecendo em Itú, aonde foi vereador e se dedicou ao estudo da Filosofia. Foi também deputado por São Paulo às Cortes de Lisboa, abandonando a Assembléia antes da aprovação da Constituição, sendo defensor da descentralização e de políticas liberais, entrando em conflito com a própria Igreja.
Foi também na política além de vereador e deputado, senador, ministro da Justiça, regente do Império e quem deu nome a uma rua de São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Rua que nasce na marginal da BR-153, vai descendo, passa por debaixo do viaduto que liga a avenida Murchid Homsi à represa Municipal, corta os bairros Jardim Estrela, Vila Elvira e Vila Ercília e morre no Pronto socorro Central.
Morre alí mas me mantém vivo na memória, eu, Dudú, Miltinho, Pork´s, Marcus coxinha, Marcel, Léo, Kiko, Anderson Cabeção, Juquinha, Priscila, Roberta, Silvelena, Marciel, Fabião, Planalto, Cri, Eliana, Juliana, Césinha e outros, sentados cada dia na calçada da casa de um, ou se reunindo pra dalí sairem sem destino, deixando as mães doidas, até então dar de frente a algo que os divertia, que ia desde quebrar os vidros do prédio velho da Swift à apertar campainhas das casas vizinhas e sair correndo.
Me lembro quando brincávamos nas cruzas da regente Feijó de Betcha, Pipa, futebol, chinelinho, pular mula e etc. Tinha que ser nas cruzas Joaquim Marques Alves, Antonio Carlos ou Vital Brasil, Pois a rua, cujo o regente do império emprestou o nome, era de muito movimento de automóveis.
Mas tinha uma casa dessa rua que se destacava, principalmente pelo tamanho do terreno, aonde eu brincava de jogar bolinha de gude e esconde-esconde e, também pela graça de uma senhora católica, que não perdia as missas de domingo que zelava fervorasamente pelos seus três filhos, junto ao seu marido que vivia na estrada em pról da triste labuta. Labuta triste que lhe rendia alguns merréis, pra sustentar sua mulher e três filhos, todos residentes da Rua Regente Feijó, 1061.