Toda roda de amigos no fim de festa quando acaba a bebida, a comida e principalmente o assunto, costuma surgir da boca destes que ainda são jovens várias piadas, que vão daquelas antigas (do papagaio, do português, da loira) que seu avô contava e já perdeu a graça à aquelas feitas pra zuar um camarada da turma, tendo sempre um que se destaca por ter um repertório extenso de charadas além de piadas, interpretando-as com gestos, caretas, imitações, ainda mais motivado com doses de qualquer bebida alcoólica, se tornando o "mestre de cerimônia piadal".
Certa vez, o "mestre de cerimônia piadal", sentado em uma mesa rodeado de amigos da mesma idade, que além de amigos são admiradores do seu talento humorístico, nos virou e contou:
__ Sabe a semelhança do celular e da celulite?
__ Qual?
__ É que todo bundão tem.
Todos riram exceto um, que virou pro moço engraçadinho e disse: "não entendi".
Ele tinha toda razão de não entender, principlamente a parte do celular que diz que todo bundão tem um. É que esse moço que não entendeu a piada é novo e não pegou a época em que o telefone celular era artigo de luxo, sendo possuído apenas por empresários, executivos, artistas, profissionais liberais com bom ganho salarial, ou aqueles 'bundões', que comprava um pra se exibir e tal, mesmo não tendo uma boa estética e sendo apelidado de "tijolão", devido o tamanho.
Hoje, até criança caminha com um no bolso, com uma variedade de modelos, cores e funções a escolher, deixando de ser artigo de luxo pra ser artigo de comunicação de extrema necessidade, com preços acessíveis pra todo mundo.
Mas mesmo o telefone celular evoluído e cheio de parafernalhas, que vão além de apenas comunicarmos a distancia uns com os outros, continua ele sendo um mistério pra todo mundo, digo, pois ele só toca nos momentos em que não podemos atender, pelo menos o meu é assim.
Por exemplo: enquanto a gente toma banho é a hora em que ele mais insiste em tocar, basta abrir o chuveiro que ele toca, fazendo você correr molhado de toalha pelos corredores da casa, patinando pelo chão liso, deixando um rastro de gotas de água e sabão e, assim que chega até ele, o mesmo deixa de tocar, repetindo-se por várias vezes lhe fazendo de bobo; é como se a válvula que abre a ducha estivesse interligado com o telefone, você liga ele toca, desliga ele para.
Eu chego a ouvir o toque do meu telefone soar do chuveiro quando à abro, misturado com o barulho da água que cai no chão e da água que escoa do ralo pro esgoto. Será que se eu instalar um fio com um telefone no chuveiro, eu consigo falar com quem esta me ligando sem ter que sair do banho? Será que não correrei o risco de levar um choque usando o telefone ligado por um fio no chuveiro, molhado e descalço com os pés no chão, caso eu faça isso?
E o mais interessante é que quando saio do banho, o que mais tem são mensagens enviadas pro meu telefone móvel que diz: "ou, você não atende mais o telefone?", ou se não, "não quer falar comigo porquê?", e as vezes: "Ta fugindo da divida, não é!?". OPS! Essa parte a gente pula.
Não gosto de ter que levar o mesmo pro banheiro, pois dizem que a umidade estraga o painel de sistema, mais uma vez o levei e deixei no vitrô, encostadinho de banda olhando pra mim enquanto eu também olhava pra ele, mas ele não tocou.
"É o mistério do telefone celular"
