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sexta-feira, 25 de março de 2011

Museu do Rock n roll de Rio Preto

Ouvi dizer que nostalgia é coisa de velho, mas quem nunca, mesmo sendo novo, ao abrir uma gaveta da cômoda em seu quarto, se deparou com fotos, recortes de jornal antigo ou um brinquedo guardado intacto, desabando em lembranças, imóvel, com o objeto na mão, com os pés no chão de taco e com a cabeça na gangorra do prézinho ou outras lembranças do passado.
Isso é a nostalgia, que qualquer um pode ter e que descreve uma sensação de saudades de um tempo vivido, frequentemente idealizado, irreal e sempre surge a partir também, da sensação de não poder reviver mais certos momentos da vida.
O interessante sobre a nostalgia é que ela aumenta ao entrar em contato com sua causa e não diminui como o sentimento da saudade, por exemplo: se alguém sente saudade ou falta de um conhecido, esse sentimento cessa ao se  reencontrar a pessoa, com a nostalgia é exatamente o oposto. Digo, pois, reencontrei amigos, músicos, numa comunidade na rede social, da época em que dividiamos o palco, tocando diante de um muro grafitado na antiga Toca do rock, ou no Olaria vídeo Bar, ou no Bog´s, Toa a Toa Pub, Bettu´s Bar, New-tons rock drink, Cultural Bar e outras casas que cediam espaço as bandas, poderem mostrar a cara do rock em São José do Rio Preto-SP e, esse sentimento nostálgico foi alimentado naquele instante.
O evento virtual se chama "Museu do Rock n  roll de Rio Preto" e mobiliza músicos e amantes do rock que frequentaram casas do gênero entre os anos de 1987 e 2002, aonde os partipantes colaboram enviando fotos de bandas, flyers e outros arquivos guardado com carinho desse periodo.
Curioso é ver o amigo que hoje é professor, ou advogado, ou administrador, etc... Nas fotos, com uma guitarra ou outro instrumento em punho, magro, sem camisa, cabelos compridos, cheio de sonhos e esboçando todo prazer de tocar rock n roll, sem se importar se faria sucesso ou não e, também outros, que já passaram por várias bandas e mesmo tendo uma profissão, família, ainda insiste em manter a paixão viva, não pretendendo deixar a música tão cedo.
Tinha até uma emissora de rádio de baixa frequência, cujo Rodrigo Braida, Cleiton, Roger Mim, apresentavam programas, pondo pra tocar as músicas que as bandas enviavam.
Me recordo que naquela época existiam várias bandas e nenhuma ficava sem se apresentar, porém, nas casas de rock da época, o som rolava toda sexta e sábado, com a média de 4 ou 5 bandas por noite, aonde várias tribos, independente dos estilos das bandas a tocar no dia, se reuniam, pra se encontrarem, se divertirem, falar de música e etc. Todos eventualmente se conheciam, se respeitavam e iam juntos aos movimentos de música, muitas as vezes a pé, caminhando até o show, com o bag de guitarra nas costas e o bolso cheio de fitas demo, gravado em K7, bebendo vinho, licor de menta, fumando e engolindo poeira, na estrada de terra que dava acesso a toca do rock, a distância era de menos para esse pessoal todo.
Percebo que atualmente, as bandas não tem a mesma união, a mesma garra como antigamente, mas cabe a nós, tanto os que viveram a época, como aqueles que admiram, manter vivo as lembranças naquilo que no resta, uma comunidade social na internet. Sem deixar de fazer música, para aqueles que ainda sonham com o sucesso ou apenas tocam por amor ao rock.