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crônicas, contos e poesias
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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O mundo exagerado das mulheres

Chegará uma hora em que elas sentirão os sintomas que lhe afetará em toda a sua esfera biológica, psicológica e social. Chegará uma hora também que elas vão ficar irritadas, ansiosas, deprimidas, com dores de cabeça, cansaço, devorando caixas e caixas de chocolate, culpando o homem por não sentir o mesmo, desejando o mesmo, suplicando o mesmo, pois daí será o início de uma nova vida.
Assim como o apito de um árbitro de futebol, assim como a bandeirada da fórmula1, assim como o disparo numa prova de revezamento 4X4, tudo tem seu começo e o começo das mulheres se enlouquecerem e enlouquecerem o homem por tabela, elas chamam simplesmente de TPM (Tensão pré menstrual).
Nisso elas vão chorar lhe pedindo sua presença ou vão te expulsar de casa sem você saber o porque, se adaptando a dismenorréia (cólica menstrual) e as mudanças do corpo. Vão também crescer, se desenvolver tanto fisicamente, socialmente, psicológicamente, passando por desilusões amorosas, profissionais, conquistas, amores e vão tentar por várias vezes matar uma barata de 3cm mais ou menos a gritos (eu nunca vi uma barato morrer a grito) desesperados.
O interessante (ou o desinteressante) é quando elas te atrasam em algum compromisso, pois estão se trocando, provando a mesma a roupa que elas já conhecem e tem no guarda roupa a muito tempo, tirando-as e vestindo-as por várias vezes, olhando a bunda no espelho, porém daqui a pouco terá uma festa, nessa festa terá outras mulheres e lá vai rolar uma guerra fria de imagens: "Porém não o importa o que eles pensam, mas sim o que elas acham", diz o lema feminino.
E o ápice dessa loucura toda, será a preocupação exagerada com um "defeito" real ou imaginário em seu corpo, ou seja, vão se olhar no espelho por horas e horas e vão dar ênfase a qualquer coisa do tipo: pinta, espinha, pneuzinho, um pêlo crescido e se sentirão gordas, obesas, mesmo sendo magras. Mas mal sabem elas que nós amamos elas mesmo assim, que quem esta do lado delas somos nós e não vivemos sem elas (com recíprocidade).

quarta-feira, 2 de março de 2011

No carnaval eu esqueço tudo

"A vida é cheia de problemas,  até mesmo os mais felizes tem problemas, ora eles são de saúde, ora eles são financeiro, emocional e tem também problemas que nem são problemas mas que damos proporções gigantescas a eles. São tantos problemas, que normalmente no nosso dia-dia, surgem como alfinetes, agulhando nosso bem estar e alegria.
Pois resolvi dar um jeito e quebrar as pontas destes aceitando o convite de alguns amigos e, passar o carnaval em outra cidade. A principio fiquei em dúvida, pois o dinheiro pra ajudar a abastecer o carro, pra comprar a carne do churrasco, as bebidas, carvão, gelo , o abadá do bloco e a hospedagem, eram pra pagar o aluguel da minha casa, a mensalidade do curso de inglês da minha filha e a ração dos bichos. Mas mesmo assim eu fui.
Mas tinha que ir, pois no carnaval esqueço tudo, dos problemas, das contas, do patrão que me explora e dos filhos que só me pedem dinheiro, até esqueço da esposa, tanto que estou agarrado com outra aqui na micareta, já é a quinta do dia. Assim como tem outros casais que não são casais fazendo ao mesmo, no ritmo de uma música que diz: Eu quero mais, é beijar na boca e ser feliz daqui pra frente.
 Uma destas que beijei, arrastei pra trás de um casarão e fiz sexo com ela, mas esqueci de usar a camisinha, e agora? A! Deixa pra lá.
No carnaval eu esqueço de tudo, porém esqueci a camiseta do abadá em algum lugar e já não sei se amanhã poderei participar denovo do bloco, mas, pra esquecer desse problema, vou beber mais e mais, pois sei que as bebidas, que eu e meus amigos trouxemos já acabaram. Compro duas de uma vez para que eu não volte tão cedo para essa fila cheia de empurra-empurra. Nisso vou gastando e esquecendo que o dinheiro era pra comprar fraldas e leite pro pequeno, mas tudo bem, o importante é esquecer de tudo.
Já perdi as contas de quantas já beijei e as contas atrasadas, que já nem sei mais quantas nem quero saber, pois estou em pleno carnaval.
Um homem insiste em jogar uma serpentina metálica nos fios de alta tensão. Esse se diverte.
Olha só quantas plumas, paetês, confetes, brilhos, fantasias, trio elétrico, escolas de samba, bailes nos clubes, todos cedidos pelo bom prefeito desta cidade, em prol da alegria desse povo sofredor, que trabalha e luta mas, o que ele faz em pról da educação, da saúde, da cultura, da segurança, do saneamento básico, da previdência, da habitação, do trânsito e etc... O que os políticos fazem em geral em prol disso tudo? Quanto custa esses investimento do carnaval para os cofres públicos? Quanto eu pago de imposto por mês?
Estou em pleno carnaval e, reduzindo os pulos no ritmo do axé, das marchinhas, do frevo e do samba enredo, me lembrei que em casa falta o medicamento para o tratamento de asma do meu filho, que falta consertar o portão da frente, vasculante que não esta fechando direito, um terno para participar da formatura do ensino médio da mais velha, mas, pus a mão no bolso e notei que o que não falta é o cigarro, fichas pra comprar bebidas e mulheres bonitas e oferecidas.
Já as 6 da manhã do último dia do carnaval, com o guarda me pedindo pra se retirar e o gari varrendo meus pés, me encontro com os botões de uma nova camisa abertos, sem calçado, sem carteira, sem dinheiro, sem documento e esquecido num canto qualquer pelos amigos, que a essa altura já estão cada um em suas casas.  Eu esqueci que sou adulto, de ir ao banheiro e fiz xixi nas calças que nem criança.
Uma mulher com uma bolsa a tira a colo, trajando uniforme com o nome da empresa bordado no bolso da blusa, que não tinha cara de quem participou daquela farra toda e muito bonita por sinal, me viu naquela situação e  me deu a mão me oferecendo ajuda. Levantei-me meio caindo e assim que já estava de pé ela me perguntou meu nome e eu com muito esforço tentei responder: Meu nome é... Meu nome é... Meu nome... Esqueci, pois no carnaval eu esqueço de tudo".

Esse texto foi baseado em uma matéria que tratava dos altos índices de inadimplência pós-carnaval, tendo base os carnavais passados, embora eu não goste de tal manifestação, que já faz parte da cultura brasileira, peço a todos que se divirtam com responsabilidade.