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crônicas, contos e poesias
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terça-feira, 15 de março de 2011

cronicas dele, porém minha, sua, nossa...

Eram gaivotas, que decolavam com os pés úmedecidos da relva, da planície verde brilhando sereno, em bando e em forma de "V", rumo ao Deus Tupã, de canto, borrado de giz de cera alaranjado. Observando uma casinha, com chaminé, um belo jardim em volta e um índio na varanda, sorrindo e exibindo frutos de uma bela pescaria. Assim como era qualquer criança sonhadora da época, no ritmo da Faber Castel, do Toquinho,  diante de uma carteira escolar, papel sulfite branco, lápis de cor e com a mente em evolução a ponto de não caber mais na caixa craneana, abaixo de uma lâmpada encandescente e flutuante.
Hoje, são poesias, letras de música, contos e principalmente crônicas, manuscritas em folhas de papel pautado ou digitados em um computador antigo, tipo tartaruga, tipo empoeirado, desleixado, que são publicados em um jornal local.
São crônicas dele, pois fala do seu dia a dia, da sua rotina, da ida de casa ao trabalho, chutando pedrinhas que se soltam do asfalto quente, num dia de calor intenso. Crônicas que falam da  sua volta do trabalho até sua casa, brincando de deslizar os dedos da mão nas grades, das casas, da sua visão diante de um lago, sentado em um banco qualquer.
São crônicas dele, porém minha também, pois me coloco no lugar dele, fazendo das suas palavras minha, me fazendo sonhar, chorar, sorrir, voar. Com ele eu me identifico e me prontifico a virar personagem de seus textos; seria um orgulho e um imenso prazer.
A sua arte tinha o poder sucção, puxando-nos pra dentro da sua mente, do seu mundo, do seu coração.
São crônicas dele, porém minha e sua. Contudo você me disse que se via, quando lia tudo que ele escrevia, em tal hora, em tal lugar, com as mesmas cores, cheiro e, copiou uma de suas poesias enviando-o para a sua amada, dizendo que eram palavras suas. Um roubo, discarado, disfarçado, mudando o titulo e com desenhos de corações em volta. Alguém, por favor, chame a polícia!
 "Tudo bem", ele disse: "Se for pra fazer o bem, não tem problemas". Ele tinha um bom coração.
São crônicas dele, minha, sua e nossa. Digo nossa, pois estão em páginas de livros didáticos escolares, de gramática, pra ser interpretado, resumido, marcado, ilustrado como lição de casa e, no final de cada página esta escrito: Autor desconhecido, uma lástima.
Ele escrevia por si só, sem pretenção alguma, num diálogo consigo mesmo, sem saber destinguir contos de crônicas, que na qual vacilou e deixou vazar suas obras.
Nossas crônicas, porém além de estar em páginas de livros didáticos escolares, estão em páginas de jornal, blogs da internet, fotocopiado e colado em cabeceiras das camas ou do lado de dentro, das portas dos guarda-roupas.

Quem ser ele? quem ser eu? Você? Nós todos? E pra onde foram as gaivotas?