supercrônico

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crônicas, contos e poesias

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Mamãe relapsa


Eram 5 patinhos que foram passear, daí voltaram 4, ai  os 4 que voltaram foram de novo passear no mesmo lugar, nisso voltaram só 3, depois 2, 1 até esse último também sumir. Mas será que não daria pra evitar o passeio ou mudar a direção do mesmo uma vez que os outros foram e não voltaram sucessivamente? Será que acharam um lago maior e mais bonito do que frequentava? Será que achou comida em abundância? Será que conheceram outros patos de "má influência" e por isso não voltaram?
No universo de canções infantis e de ciranda abordam temas curiosos do tipo um Cravo que brigou com uma rosa, de uma velha que atira paus em gatos, de alguém que apavora uma criança ao dizer que papai foi à roça e mamãe foi trabalhar, sendo assim, nesse caso, quem esta cantando? Quem é você? Pensa o bebê; Ou despertando nosso sentimento de pena, de um sambalelê com a cabeça quebrada, de um soldado que é obrigado a marchar direito pra não ir preso no quartel ou do pobre pai Francisco, que ao entrar na roda para demonstrar seu dom musical foi preso. Como seria a vida dos músicos que tocam na noite, nos bares, nas casas de shows ou na Avenida Paulista, diante de um chapéu no chão com miseras moedas dentro da cúpula, caso isso virasse tendência nacional?
Mas voltando aos patinhos, relevamos por serem "patinhos" ainda "bebês patinhos" e sem noção do perigo. Mas que mãe é essa que deixou os 5 patinhos sumirem pra depois desesperadamente procurar?
Que bom que achou, porém podiam serem atropelados, sequestrados, violentados... Nesse mundo cruel...
Mas é apenas uma brincadeira em relação ao conteúdo da letra, pois mesmo sumida da grande mídia ainda acho que ela é a melhor coisa televisiva para as crianças, ensinando-as didáticas pedagógicas com muita diversão, ensinando as cores, letras, números e valores sociais hoje cada vez mais raro na arte sonora do mundo infantil.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Orgulho de ser suburbano

Na volta pra casa se via o carro de um ambulante anunciando em alto e bom som: "Pamonhas de milho verde, pamonhas de piracicaba", enquanto outro cruzava a mesma rua também anunciando, mas sendo este outro serviço:"Panelas de pressão, consertamos qualquer problema de sua panela", enquanto ele continuava a descer a rua com uma sacola de pão e uma caixinha de leite nas mãos, dando bom dia as senhoras que trocam doce por cima do muro com a vizinha,às senhoras que varrem as calçadas de suas casas para mante-la limpa, as senhoras que só varrem pra saber o que o vizinho esta fazendo, os senhores que leêm jornal na praça e os jovens que trabalham. Entrou em casa, tirou a chave de dentro do vaso plantado "comigo ninguém pode" numa lata de óleo usada, dessas grandes, abriu a porta empurrando lentamente um elefante de gesso e entrou já sentando na mesa, cortando o pão que trouxe, bebendo o leite que trouxe, mas se levantou pra pegar margarina. A geladeira tinha imã de cima a embaixo, imã com telefone do entregador de gás, da pizzaria,do moto-táxi, com imagem de santo e também se via capa em tudo, no liquidificador, no galão de água, no boutijão de gás, bordados e com rendas em volta, fora os pequenos caminhos de mesa ou guardanapos embaixo de tudo que era bibelô. Com a refeição feita, trocou-se, caminhou-se de volta na rua com a mochila e a marmita queimando as costas que logo tomou o ônibus, lotado como sempre de pessoas como ele que mesmo nas dificuldades do dia-dia tem orgulho de ser suburbano

sábado, 5 de outubro de 2013

A maldade em torno de um abraço

Ele já fez coisas que até o Diabo duvída, coisas do tipo separar uma mãe da filha após o parto jogando a criança em uma caçamba, já mandou matar, já roubou a empresa do próprio pai, já planejou um sequestro fora o cinismo e as risadinhas de ar irônico. É como uma criança daquelas que se joga no chão do supermercado, esperneando, urrando lágrimas de dor de vontade de ter aquilo que viu em uma prateleira qualquer e a mãe negou por não ter dinheiro ou daqueles adolescentes, que se vestem exoticamente pra ir ao shopping no sábado a tarde, pra chamar atenção talvez não dos amigos e sim da família. Esse é o Félix, um vilão mau caráter da teledramaturgia do horário nobre, invejoso, ardiloso que promove suas maldades à partir de uma ferida aberta causada por um simples ato, que ele pede incessavelmente mas ninguém percebe. Essa foi a pauta discutida numa roda de casais que estavam a meses por serem pais do seu primeiro filho, tendo como exemplo jovens infratores que delatam no princípio de suas histórias pessoais a ausência de carinho do pai, da mãe e da família. Claro que nada justifica, pois todo crime tem que ser coibido, julgado e punido como manda a lei, mas o carinho e a atenção é uma das principais sementes que se planta pra no futuro termos bons adultos. E pra quem acompanha a novela das 9, vemos que a personalidade do vilão gira em torno de uma carência e da falta de carinho do pai.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Forçando a barra

Ele é rico, trai a mulher, tem uma filha com a amante e depois adota a própria filha, casa o filho gay com uma prostituta por temer que seu meiosocial descubra essa opção do filho. Essa nora, cujo ele apresentou ao filho gay, casou grávida dele, ou seja, o jovem filho do seu filho, cresceu achando que era neto mas na verdade era filho também, sendo assim ele é irmão do pai que não é pai. Ainda casado, traiu a mulher pela terceira vez (com a hipótese de ter tido uma uma quarta) com a secretária, flagrado pela esposa na cama que a perdoou, sendo essa secretária irmã da filha adotiva que teve com a amante. Confuso não é? Imagina na cabeça do telespectador. Mesmo sendo um noveleiro assíduo e um admirador dos atores globais, acho que o núcleo do Doutor César, Pilar, Félix, Paloma e outros esta forçando a barra demais. Sei que são retratos da realidade e que alguns telespectadores se veem em cada personagem da trama,que busca o objetivo de mostrar como resolver cada situação da vida moderna na reviravolta que só vemos no fim da novela, mas nos causa estranheza quando a gente se põe no lugar de alguns personagens. Por exemplo: Um neto que não é neto, é filho. E como é olhar pra nora, mãe do neto que não é neto e pensar: “Eu transava com ela”. Depois descobrir que a atual amante (secretária) é irmã da própria filha. Bem, só torcemos que a mensagem dessa história toda de Walcyr Carrasco se desenrole e seja positiva sem deseducar ou confundir as crianças que a assistem.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

O Funk de mentira e o Funk de verdade



São carros esportivos, são carros rebaixados, são carros velhos, são carros luxuosos, de várias cores, de vários tipos diferentes de potências de motores, de designs, mas nenhum tem chamado tanta atenção quanto aos carros
sonoros, aos minis carro-elétricos, que desfilam subindo e descendo contaminando nossos ouvidos com a sua poluição sonora, pois nota-se que quanto mais alto é o som do carro pior é o gosto musical do motorista e cada vez mais tem piorado depois que esse tal de Funk se tornou moda entre os jovens dessa nova geração.
Diante de tanto sucesso desse estilo musical e sem saber o que era realmente, perguntei a uma adolescente dessas que vive nos ônibus coletivos com um fone de ouvido na orelha e plugado num celular, sobre o que era o funk. Ela me respondeu educadamente que existia 3 tipos de funk: "O funk carioca, o paulista e o Melody".
O funk carioca é o que prega a promiscuidade, o sexo fácil sem compromisso, ao sexo precoce de meninas menores de idade, ao machismo, ao adultério e tratando as mulheres como um objeto sexual, cantado até por elas mesmos, por exemplo:


"Bate, bate, bate, bate 
Com o peru na minha cara

Bate, bate, bate, bate
Essa é a minha tara."



E que o Funk Paulista prega a ostentação por bens materiais, por grifes, objetos de luxo, ostentando também a possessão de mulheres bonitas, status e festas, por exemplo:

"Ostentação fora do normal quem tem motor faz amor
Quem não tem passa mal."

E por fim o Funk Melody, sendo ele o melhor dos piores, que simplesmente mantém o ritmo dos outros (Paulista e Carioca) mas com um conteúdo romântico, sem sacanagem ou ostentação.
Agradeci a adolescente pela informação mas disse a ela que essa geração não sabe, que só existe dois tipos de Funk, que é o funk de mentira, ou seja esses todos que citei acima e o Funk de verdade:

O Funk (original) é um gênero musical que se originou nos Estados Unidos na segunda metade da década

de 1960, quando músicos afro-americanos misturando soul, jazz e rhythm and blues criaram uma nova forma  de música rítmica e dançante.
Os pioneiros desse gênero são: James Brown, Sharon Jones, Sly & The Family Stone, Funkadelic, The Commodores, Wind and Fire, The Brothers Jhonsons  e tendo destaque também na voz de Amy Whine House.
No Brasil bandas como: Elephunk, Funk como le gusta, Banda Black Rio e os ícones, Wilson Simonal, Gerson King Combo e Tim Maia  que fizeram história nos bailes dos anos 70.







quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O repertório de Seu Armando

Ele tem mania de cantar toda vez que exerce qualquer ato simples do seu dia-dia. Ele canta quando toma banho, canta quando faz a barba, canta enquanto se troca, canta quando dirige, quando bebe uma gelada com os amigos ou enquanto aguarda por alguém. Gostar de cantar nem sempre quer dizer saber cantar, mas ele canta pra relaxar das horas tensas de trabalho ou pra acelerar os minutos de espera por qualquer coisa e o seu repertório consiste em canções tais como;

"Comer Tatu é bom, pena que da dor nas costas..."

E ás vezes também canta:

"Hoje a Jurupoca vai piar, vai, vai piar a noite inteira...

Ele vira uma criança quando cantarola os sucessos que lhe marcaram a vida, do brega ao moderno, sem deixar de falar da música:

"O mundo não acaba aquí, o mundo ainda esta de pé..."

Me lembro que quando eu era criança e ele cantava assim antes de viajar, já com a mala cheia de roupas em punho, de bigode preto vistoso, perfumado e o cabelo penteado com TRIM, sempre com as unhas de cada dedo mindinho por cortar:

"Tchau pititico, tchau, tchau, cuida bem da mamãe pra mim..."

Na mala carregava uma calça, camisetas, um par de chinelo de dedo, pente fino de bolso e um frasco de talco em pó GRANADO e quando voltava da mesma viagem ou outras cantava:

"As andorinhas voltaram e eu também voltei..."

E eu ria dele quando cantava;

"Ai, ai, ai, carrapato também cai, tropicou no pé da mãe, foi parar no pé do pai.

E era sempre assim, começava a cantar e não dava continuidade a mesma música, cantando apenas o trecho da letra que sabia da música, sendo esse um pequeno resumo do seu vasto repertório, sempre do jeito dele, desafinado, porém animado, dançando desengonçado e voltando novamente pro início do mesmo trecho e quando não sabia a letra ele apenas assobiava a melodia, mexendo os dedinhos erguidos e a cabeça também, pois lembro me também, não faz muito tempo ele me virou e disse que tinha feito uma canção e essa canção era:

"Benzin, benzin, o que se qué com o benzin, o que se qué com o benzin..."

Pô, já pensou se a moda pega... Quem me dera poder herdar esse dom também...Hahahahahaha!!!!


sábado, 17 de novembro de 2012

Pelos pêlos



Os pêlos humanos me deixam um tanto pasmo, digo pois se você pegar qualquer um de qualquer parte do corpo e medir, você verá que ele tem um tamanho e se você medi-lo novamente daqui um mês ou depois ele continuará com o mesmo tamanho caso você não corte-o, ou seja, ele fica no mesmo lugar e com a mesma medida, mas se você cortá-lo logo ele crescerá e voltará ao mesmo tamanho, parece bobo, mas eu particularmente acho isso muito curioso, é como se fosse uma árvore que crescesse até um certo tamanho permanecendo assim por anos e toda vez que você cortá-la ao invés de ficar pequena e no tamanho do corte, ela crescerá e voltará ao mesmo tamanho de antes, nem mais, nem menos.
 Pêlos estes que são curtos, que são longos, que são descoloridos, que são raspados, que crescem tipo Tony Ramos ou no "Caminho da felicidade", que quase não tem utilidade, porém nasce em lugares inusitados tipo: axilas, orelhas, nariz, nádegas, região pubiana e até no... deixa pra lá, mas registram tais sensações como o medo, vergonha e excitação quando se arrepiam.
Mas não me esqueço quando trabalhava de balconista em uma rede de fast food e um senhor encostou no balcão e me fez um pedido, perguntei umas 2 ou 3 vezes o que ele queria por não entender e ele me respondia pacientemente toda vez que eu a perguntava.
É que eu não conseguia prestar atenção no que ele falava, pois os pêlos do nariz dele me chamava mais atenção do que qualquer outra coisa no momento. Nunca fui de reparar nessas coisas mas aquele dia foi inevitável, era uma força maior que eu e incontrolável.
Eles saiám grizalhos pra fora como pontas de pincéis em cada narina, abrindo e fechando como um balé cinzento toda vez que ele respirava pingando ranho úmido, e outros pêlos surgiam do lado de fora do nariz seguindo a linha externa da cartilagem e emendando  com os que saiam das cavidades nasais, como uma obra de arte abstrata e contemporânea. Me deu vontade de perguntá-lo o porque não cortava aquele estranho cultivo, talvez ele me responderia que era por falta de tempo, ou por falta de disposição, ou porque sentia dor ao podá-los, ou por amor a eles, ou revolta por ter sido deixado por um grande amor do passado, ou por ser um manifesto artístico ou político, ou por querer chamar atenção uma vez que era um homem carente, ou por ser uma nova tendência de moda que até então eu não conhecia. Enfim, os motivos eram muitos.
A língua e o céu da boca coçou parar perguntá-lo e assim matar minha curiosidade e quando abri a boca eu disse: "Logo seu lanche ficará pronto, pode aguardar em uma das mesas".