supercrônico

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crônicas, contos e poesias

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Casagrande - Cuspiu no prato que comeu

Walter Casagrande Júnior, também apelidado por Casão, se iniciou no futebol em 1980, no Corinthians, aos 18 anos e teve outras passagens além do time que o revelou. Caldense, São Paulo, Porto de Portugal, Ascoli e Torino da Itália, Flamengo, Lousano Paulista e uma passagem pela Seleção brasileira de Telê Santana em 1986. Em 1982 participou de um movimento chamado Democracia Corinthiana, que dizia a respeito tanto do esporte quanto a política, mobilizando em contrariedade as concentrações antes do jogo e apoiando as Diretas Já. Jogou ao lado de Wladimir, Zenon, Biro-biro, Sócrates, Careca e outros, considerando a melhor fase de sua carreira. Mas desses times todos do Brasil, o que mais o consagrou foi o Timão, dando a ele os títulos paulista de 1982 e 1983. Atualmente, é comentarista de importantes jogos transmitido pela rede globo de televisão, ao lado do narrador esportivo Cléber Machado, Arnaldo César Coelho, Caio Ribeiro, jogos tais como o do seu ex-time. O cabelo cheio, enrolado é o mesmo até hoje, mas o respeito pelo time, que o ovacionou e gritou pelo seu nome parece que não. Será que ele esqueceu disso tudo?  Digo porque pra ele é da seguinte forma, se o time empata, ta ruim porém tem que ganhar, se o time ta ganhando, ele ta ruim por que deve ganhar com mais gols, e se perde é pior ainda. Ele devia ser banido pela falta de respeito com o torcedor do Corinthians, é notável a insatisfação dele em qualquer situação do time, sendo ela boa ou ruim. Talvez você leitor não consiga ter a mesma sensação que tenho, quando ouve ele comentar o jogo e cita o Timão, mas eu sinto, até mesmo quando o narrador não chama por ele, que se interfere pra dar aquela alfinetada. Você torcedor adversário, independente de que time torça, se ponha no lugar desses 25 milhões de apaixonados, como você se sentiria ouvindo alguém, que só deprecia seu clube de coração, em rede nacional, na emissora com maior audiência nas noites de quarta-feira, depois da novela das oito? Talvez seja amor reprimido, alguma ferida aberta, ou disfarce, pois dizem que o profissional da área, tem que se imparcial, não pode revelar pra que time torce. Mas ele falando bem ou mal, jamais afetará o amor destes, que além de "louco por ti Corinthians", não se importa com a inveja alheia.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Enchente: Atração turistica

 


Certo de que ainda tinha algum dinheiro, restante do último saque, do último salário, do último emprego, fui até o banco e lá, consultando o saldo em tela,  vi que dos vinte e cinco reais que havia, tinha apenas tres reais e alguns centavos e, perguntando a moça, que transita pelo banco, de colete,  pra ajudar quem tem dúvidas, me respondeu que o banco cobrara algumas taxas e por isso só havia aquela quantia. Retirei o cartão do caixa guardando-o na carteira, deixando os tres reais e alguns centavos no caixa e, resolvi aproveitar o percurso, para visitar alguns amigos, num antigo emprego alí perto.
Fui e chegando lá colocamos as novidades em dia, mas, mal cheguei e já tive voltar pra casa, uma vez que o céu estava tomado de uma nuvem negra, carregada de chuva.
A duzentos metros, de volta pra casa, fui obrigado a me esconder num toldo de uma loja, por sinal o único até então naquelas proximidades, devido a chuva forte que começara a pingar.
Junto a chuva veio o vento que fizera uma árvore lamber com as folhas o teto de um carro estacionado e um pardal filhote, caiu da árvore, chacoalhou as penas e mancando se acoou no canto, do mesmo toldo, da mesma loja que eu estava. Uma senhora que brigava com o guarda-chuva florido já do avesso, também se protegeu no mesmo toldo que eu e o pardal filhote se escondia, na Rua Penita, Redentora, fechando o seu guarda-chuva e guardando-o molhado dentro da bolsa. Logo ela deu um grito de medo de um trovão forte que estrondou e em seguida rio dos fios de alta tensão, que se colidiam com força um com o outro, de um poste em frente  daonde estavamos. Preocupada, ela abriu o guarda-chuva de volta e saiu de baixo do toldo, me deixando preocupado também a ponto de eu gritar: "Calma minha senhora, espere que a chuva está forte, é perigoso..." e ela me respondeu já do outro lado da calçada: "Meu filho, estou preocupada com meu filho". Baixinho, pra mim mesmo eu disse: "Que Deus a proteja".
Quarenta minutos depois, a chuva passou, mas foi o bastante pra trasformar a principal avenida da Cidade em um rio de águas barrentas. Notei que o movimento de pessoas aumentava nas ruas conforme a chuva ia embora, despertando a curiosidade daqueles que ia até a márgem da enchente pra assistir a tal atração turistica de perto. As pessoas riam e se divertiam ao ver a avenida que antes passava carros, passando galhos caídos de árvores, caçambas de entulho revirado e acenavam com a mão  para os que assistiam do outro lado da calçada o mesmo rio inusitado, é legal rir de algo que não nos fez mal. Logo a rua Penita, se encheu de carros e pessoas que desciam deles com celulares, prontificados a tirar fotos e filmar, pra guardar de recordação, as imagens de um fato cada vez mais comum nas grandes cidades. Um homem agradecia por não ter acontecido o pior e comparava a enchente que via, com a que destruia casas e famílias no Rio de Janeiro e sua esposa completava dizendo que a natureza já não era mais a mesma, os ventos, as chuvas, cada vez mais intensos, mas daí pensei com meus botões, será que é a natureza?.
Quem me dera me jogar de barriga, sem camisa, e sentir a correnteza me banhar, assim como já fiz na sarjeta em frente de casa.
Com os braços esticados, os turistas casuais gravavam as dobras dágua que a correnteza fazia, movimentando o braço de um lado e outro, os turistas, inclusive eu também.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O amor não sente cheiro

Nana (a esquecida) era assim mesmo, se esquecia de tudo, das contas a pagar e quando ia pagar as contas se esquecia do dinheiro, do guarda-chuva, de ir ao médico, de tomar os remédios, dos endereços daonde desejava ir, da data de seu aniversário mas, uma coisa que ela não esquecia era da data de aniversário do seu namoro. Ela era apaixonada pelo seu namorado e sugeriu a ele, Jonas, um jantar romântico em sua casa. Toda jeitosa, arrumou a mesa, pos os pratos, os talheres, decorou a sala com vasos de flores, pos a canção favorita no seu aparelho de som, vestiu um vestido, se maquiou, se perfumou, vestiu um salto-alto, pos uma lingerie sexy e o aguardou ansiosa. Enquanto ele,  mais relaxado, morador da zona norte da cidade, vestiu uma camisa manga longa e dobrou-a até os cotovelos, penteou o cabelo de lado, uma calça jeans clara, sapatênis e chamou o moto-taxi.
Vinte minutos depois, o moto-taxi chegou e perguntou: "pra onde vai?", e ele respondeu: "Cidade Jardim, por gentileza", ou seja, para o bairro onde morava Nana e longe daonde morava.
Assim que pos o capacete, sentiu uma certa umidade lhe molhar a testa e um forte cheiro de suor. Mal subiu na garupa da moto e, o mototaxista arrancou-se de tal modo, fazendo com que Jonas, na garupa, levantasse as pernas e tirasse os pés do apoio, se agarrando nas barras de segurar na lateral do banco, levando um susto enorme.
O mototaxista, corria entre os corredores apertados de carros nas avenidas, Jonas até bateu com o joelho no retrovisor de um deles, mas mesmo assim pedia para que o condutor da motocicleta corresse, para que não se atrasasse para o importante encontro. Quanto mais a moto corria,  mais o vento entrava pra dentro do capacete, fazendo com que o cheiro de suor aumentasse dando a impressão de já estar no corpo todo.
Nas ruas, numa noite quente de sábado, ele via moças e rapazes que transitavam a pé pelas calçadas, a procura de um bar, de carros cheio de jovens, que reduzia a velocidade e aumentava o som do mesmo, observando estes que transitava por lá,  flanelinhas que apontava para vagas de carros disponíveis nas ruas, próximo a esses bares, seguranças engravatados, luminosos propagandiando bebidas, garçons e garçonetes equilibristas, que equilibravam o combústivel da alegria dos que se divertem nas noites de fim de semana.
Jovens de todos os estilos, uns com chapéu de couro e calça agarrada, outros com a franja caindo na testa, outros com abadá de micaretas passadas, outros que sentavam com a costa apoiada na porta de um comércio qualquer e alguns que pediam dinheiro nos faróis. 
Não era só a pressa de chegar na casa de Nana, mas também era a vontade enorme de descer daquela moto e tirar o capacete, se livrando do mal cheiro de suor, que inalara pelo percurso todo, que fazia com que Jonas pedisse, para  o condutor da motocicleta correr cada vez mais.
Logo ele chegou ao seu destino, abriu a carteira e pagou pela corrida, arrumou o cabelo de penteara pro lado, mas que já estava todo amassado, desenrolou as mangas da camisa até o pulso, enxugou a umidade que era da testa e foi pro rosto todo com uma das mangas e apertou a campainha.
Ela abriu a porta, ela saiu  e junto a ela  saiu também pela porta o seu cheiro gostoso do perfume, ele, receoso com o próprio cheiro lhe deu um abraço, ela disse: "Te amo"
Ele sorriu e baixinho pra sí mesmo ele disse: "O amor não sente cheiro"

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Circular Santa Fofoca

Corri, me apressei, pois já era 7:10 da manhã e lá vinha ele, virando a esquina da Joaquim Marques Alves, lotado, com passageiros se expremendo em busca de um lugar confortável em um dia de calor intenso. Caso  eu perdesse esse, outro só dalí a 20 minutos  e assim por diante até ao meio dia.  Ele entrou na Regente Feijó assim que eu passei pela roleta, com a passagem já paga, sentei em um banco duplo vazio, desocupado por dois que desceram no mesmo ponto que eu embarquei, que logo também foi ocupado por uma senhora com uma bolsa transversal no ombro que, educadamente, sentando ao meu lado me deu bom dia, reclamou do calor e se queixou de uma vizinha que não pagará a prestação de uma geladeira velha usada, que  tivera vendido. Depois falou que a vizinha além de não pagar a geladeira, não quer mais trabalhar, que sai com outro enquanto o marido trabalha a noite de táxista, que deixa as folhas que caem seca da árvore na calçada sem varrer, que sua filha de 5 anos esta com piolho e reclamava também de uma turma de garotos que ouviam funk cairoca do celular, nos bancos do fundo.
Atrás de mim um velho tossia e reclamava que, o médico lhe receitara o remédio errado para a sua tosse, que o ônibus coletivo não tinha ar condicionado, que o motorista freava bruscamente, fazendo que os passageiros apertados se misturassem trocando de lugar um com o outro, que seu patrão lhe obrigava a trabalhar mais que as suas 8 horas devidas e que sua aposentadoria não saia. Uma outra toda perfumada, com o cabelo vermelho cobre e as raízes pretas por pintar, usando salto e um vestido amarelo que subia toda hora, dizia para uma moça negra  que lhe acompanhara, que a melhor amiga comprara um vestido igual a dela, por pura inveja, mas que o seu era original da marca enquanto o da melhor amiga não era, e as duas riam debochando do fato, isso porque era a melhor amiga. Um homem de gravata pregava o evangelho com a bíblia aberta, mas sua voz se perdia entre o som do celular dos garotos do fundo e as conversas paralelas dos demais alí dentro.
Minutos depois, de ponto a ponto, o onibus sobrecarregou mais ainda sendo ocupado até o pequeno espaço do motorista bigodudo, fazendo que o calor e o cheiro de marmita quente, misturado com o cheiro de perfume barato  da moça ruiva de amarelo se espalhasse pelo interior do coletivo.
Dentro do ônibus é um barato, tudo é caro, se chove é ruim, se faz calor também, ninguém é bom, nenhum hospital, assim como nenhum trabalho, assim como nenhuma linha de ônibus coletivo que transportara todos pra lá e pra cá nessa cidade grande todo santo dia.
Logo o ônibus que eu estava, entrou na Pedro Amaral e adentrou o terminal rodoviário. Os passageiros se tumultuaram na porta, apreensivos e com medo de perder o outro, da linha que os levam ao trabalho sempre. A porta se abriu e quando eu achava que todas as reclamações e fofocas tinham terminado eu ouvi alguém falar; " Pelo amor de Deus motorista (pobre do homem), não da pra parar mais próximo a guia? Não empurrem... Não empurrem..."
Dentro do terminal tinha vários deles estacionados, uns prontos para sair, uns embarcando, outros desembarcando, mas todos com a cor azul, branco e com detalhes alaranjados, adesivado com o nome da empresa em toda extensão das laterias, mas que eu chamo carinhosamente de Circular Santa Fofoca.

sábado, 15 de janeiro de 2011

O verdadeiro João Bosco





João Bosco de Freitas Mucci, mais conhecido como João Bosco, músico e compositor de MPB, que toca violão desde seus 12 anos de idade, influenciado por sua família de músicos e também pelo jazz, bossa e tropicalismo, autor de 25 albuns sendo eles um ao vivo, um acústico e um com a parceria de Tom Jobim.
Eu que não entendo patifas de nada de musica sertaneja, ouvi falar de uma certa música de uma dupla chamada João Bosco e Vinícius que estava fazendo sucesso, logo me empolguei e pensei: "Que legal, João Bosco e Vinicius de Moraes? E qual musica será essa? Rosas-dos-ventos? Samba do pouso ou Mergulhador? Crendo no resgate de uma música antiga para os dias de hoje.
Além de Tom Jobim e Vínicius de Moraes, João Bosco, que é torcedor do Clube Atlético Mineiro, compôs mais de uma centena de músicas ao lado de Elis Regina e Aldir Blanc e sua carreira deslanchou com as músicas: "dois pra lá e um pra cá", "Bala com bala", "O bêbado e a equilibrista", "O ronco da cuíca", "Corsário" dentre outras mais.
Mas logo descobri que João Bosco e Vinícius não tinha nada a ver com o verdadeiro João Bosco em parceria com o saudoso Vinícius de Moraes. Nada contra esse tipo de música, mas acho uma falta de criatividade imensa, pegar o nome de um outro artista pra usa-lo como nome artístico, mesmo que o nome desse da dupla seja o nome de batismo, o interessante seria ele usar outro nome artístico, uma vez que é comum essas duplas fazerem isso.
Imagine você se essa moda pega, pois daí teremos duplas tais como:

__ Caetano Veloso e Rodrigo

__ Chico Buarque e Alexandre

__ Gilberto Gil e Giosvaldo

__ Tom Zé e Tom João

__ Alceu Valença e Felisbino

__ Gal Costa e Cidinha

Ahhh!! Tenha dó

João Bosco de Freitas Mucci, mais conhecido como João Bosco, músico e compositor, esse é o verdadeiro João Bosco.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Os boatos mais famosos do Brasil

Uma velhinha que costumava a fazer compras toda semana na feira, perguntou ao vendedor de legumes quanto custava o quilo de tal mercadoria que a mesma desejava e, assim que ele disse o preço ela gritou: um assalto...um assalto", surpresa por achar o preço dos legumes alto demais. Logo um rapaz que ouviu a velhinha gritando, passou a bola pra frente sem saber o certo o que era realmente e disse: "tem um assaltante aqui na feira", nisso o corre-corre dos transeuntes foi geral, mas essa estória eu li em um livro anos atrás.
Mas essa mesma estória aconteceu  de verdade no dia 14 de janeiro de 2011 no Rio de Janeiro, mas foi um pouco diferente. Pais e mães com crianças a tira colo chorando, corriam por que viam outros correrem as vezes sem saber o porque e, os que sabiam o porque gritavam: " a barragem da represa se rompeu, corram". A correria foi geral também, inclusive  a de um paciente que saia do hospital com o soro pendurado no braço, de carros dando ré na contra-mão nas avenidas ou de motoristas abandonando seus carros, pra fugirem até então, descobrirem que não passava de um simples boato.
Os boatos já fazem parte da tradição brasileira, sempre tem aqueles que inventam o boato e aquele que acredita e se torna o espalhador do fato inventado. O ruim é que esses boatos causam muito constrangimento numa comunidade, numa cidade, causando pavor por uma coisa que nem existe, pelo simples prazer de ver a coisa acontecer.
Nos anos 70, quando o pelé ainda jogava no Santos, ele veio até São José do Rio Preto com seu time, ao lado de Coutinho, Jairzinhoe outros, pra uma partida contra o América Futebol Clube, no antigo estádio Mário Alvares Mendonça. Torcedores que ficaram de fora, revoltado por não conseguir entrar, devido a lotação do estádio, resolveram queimar pneus usados atrás da arquibancada. Alguém viu de longe e achou que o fogo era na arquibancada e espalhou o boato. Pessoas rolaram pra baixo das escadas empurrados por outros atrás que temiam ser queimado pelo tal fogo que vinha de fora e as enfermarias lotaram de gente machucado com o empurra-empura e o fogo em sí, não queimou ninguém.
Tem gente que não inventa o boato por maldade, mas vê algo de forma distorcida e divulga o fato dessa forma.
Os boatos com o tempo deixam de ser pavorosos pra se tornarem lenda urbana, assim como a estória da cobra na piscina de bolinhas de uma loja de hamburguer famosa, do carrinho de compras que o guarda de um hipermercado, também muito famoso, viu pelas cameras de segurança, um carrinho de compras sendo empurrado por um fantasma invisível e também a de um necrofilo, em Rio Preto, que depois de ter relações com sua namorada morta e preservada num freezer, foi a uma micareta e beijou uma moça, transmitindo-a uma bactéria oriunda do cadáver da namorada, que destruiu a mucosa da boca e a face dessa moça que o dias depois.
Também me recordo da estória do boneco do fofão que diziam que vinham com uma faca dento dele e da boneca da Xuxa que arranhou a cara de uma menina no condomínio Rio Leste, a dois quarteirões da minha casa.
Todo boato tem conteúdo trágico, medonho, nunca vi algum boato positivo, de alguém sair pelas ruas dizendo que o João ganhou na loteria, que Maria saiu do hospital e se recupera bem em casa, com a família, que a Gisele passou pra segunda fase do vestibular de arquitetura que ela tanto queria e assim por diante. Assim como sou um escritor de crônicas vou ser um espalahador de boatos, mas serão boatos positivos, pra quebrar a regra dos boateiros profissionais que só se espalham as mesmas estórias de mau gosto.
Então...você, registre a partir de agora meu primeiro boato:


"Vocês são felizes, se amam e se querem bem... Hahahahahahahaha!!!"

OK, foi lançado.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Música de criança pra quem não é mais criança

Sábado é um dia em que naturalmente a gente acorda mais feliz, mais disposto, principalmente por sabermos que não iremos trabalhar, ou por saber que mesmo se formos trabalhar sairemos mais cedo, pois daí teremos o resto do dia para descansar, curtir a familia, ver o sol, sentar na varanda sem camisa, de short, chinelo de dedo, ir ao clube, cuidar da beleza ou cuidar dos filhos pra quem tem filhos,  rever os amigos, por as novidades em dia. Mas foi num sábado de chuva, dessas que cismam cair no mês de janeiro em São José do Rio Preto, que me fez cair também, mas na cama após o almoço e só acordar no fim da tarde. Nada mais gostoso que cochilar ouvindo o som da chuva no telhado, com a barriga cheia, sentindo o frescor do creme dental na boca.
Mais tarde, já acordado, enquanto esperava um convite de alguém tão entediado quanto eu, pra sair, tomar um chopp, resolvi zapiar os canais de TV deitado no sofá da sala, com o controle remoto no peito e a cara ainda com as marcas do travesseiro e, zapiando os canais decidi assistir um programa, cujo o apresentador, muito bom por sinal, fazia um encontro de jovens solteiros a procura de namoro, e quando um casal formado dava um beijo alí mesmo, no palco do programa, o apresentador se vestia de abacaxi, ora de He-man, ou de  um cantor mirim da década de 80, dançando e cantando a música do mesmo. As crianças da platéia riam e se divertiam ao ver o apresentador naquela situação, que também se divertia, mas via a empolgação dos mais velhos, principalmente os de 25 a 35 anos, que acompanhava o ritmo da música com palmas.
Aquela cena me fez recordar das músicas infantis e dos grupos que faziam sucesso na minha infância; grupos tais como: Trem da alegria, Balão Mágico, Os abelhudos, Sandy e Júnior, as patotinhas, músicas de criança cantadas por criança, que se acabaram e infelizmente não tiveram seus sucessores. Mas porque será hein? Será que as crianças não se interessaram mais por cantar músicas infantis ou as que cantavam e sonhavam com sucesso foram barradas pela mídia e trocada por outro estilo de música?
Além dos grupos citados, tinha também gente que mesmo sem ser criança, fazia questão de cantar pra elas. Eliana, Mariane, Fofão, Sérgio Mallandro, Xuxa, Mara maravilha, que tinham seus próprios programas ou apenas participava neles cantando.
Me recordo o quanto as canções traziam temas que diziam o quanto era bom ser criança, o quanto era bom viver a vida, do quanto era fácil ser feliz mesmo com os problemas, trazendo nos a magia da inocência e os sonhos.
Assim como o vídeo cassete, o vinil, a música infantil também foi extinta e tenta ganhar resistência nos DVDs que a Xuxa lança todo ano. O natural é ver em festas de crianças, um aparelho de som tocando axé e funk, com conteúdo adulto para as crianças dançarem. Nisso as crianças atuais são cultuadas sem querer a terem uma precocidade, educadas com o que as canções de conteúdo adulto tratam.
Não só as canções infantis como as brincadeiras de rua estão sendo extintas, amarelinha, pular elástico, passar anel, fundamentais para o desenvolvimento das noções de equílibrio, distãncia,raciocínio e força da mesma , junto aos brinquedos analógicos que também sumiram.
Quem sabe um dia esses cantores fabulosos que englamuraram nossa infância dos anos 80 e um pedacinho dos anos 90, volte com a mesma força, nem que seja pra cantar para nós adultos, uma vez que as crianças não conhecem e nunca mais vão ouvir musicas infantis.