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crônicas, contos e poesias

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Enchente: Atração turistica

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Certo de que ainda tinha algum dinheiro, restante do último saque, do último salário, do último emprego, fui até o banco e lá, consultando o saldo em tela,  vi que dos vinte e cinco reais que havia, tinha apenas tres reais e alguns centavos e, perguntando a moça, que transita pelo banco, de colete,  pra ajudar quem tem dúvidas, me respondeu que o banco cobrara algumas taxas e por isso só havia aquela quantia. Retirei o cartão do caixa guardando-o na carteira, deixando os tres reais e alguns centavos no caixa e, resolvi aproveitar o percurso, para visitar alguns amigos, num antigo emprego alí perto.
Fui e chegando lá colocamos as novidades em dia, mas, mal cheguei e já tive voltar pra casa, uma vez que o céu estava tomado de uma nuvem negra, carregada de chuva.
A duzentos metros, de volta pra casa, fui obrigado a me esconder num toldo de uma loja, por sinal o único até então naquelas proximidades, devido a chuva forte que começara a pingar.
Junto a chuva veio o vento que fizera uma árvore lamber com as folhas o teto de um carro estacionado e um pardal filhote, caiu da árvore, chacoalhou as penas e mancando se acoou no canto, do mesmo toldo, da mesma loja que eu estava. Uma senhora que brigava com o guarda-chuva florido já do avesso, também se protegeu no mesmo toldo que eu e o pardal filhote se escondia, na Rua Penita, Redentora, fechando o seu guarda-chuva e guardando-o molhado dentro da bolsa. Logo ela deu um grito de medo de um trovão forte que estrondou e em seguida rio dos fios de alta tensão, que se colidiam com força um com o outro, de um poste em frente  daonde estavamos. Preocupada, ela abriu o guarda-chuva de volta e saiu de baixo do toldo, me deixando preocupado também a ponto de eu gritar: "Calma minha senhora, espere que a chuva está forte, é perigoso..." e ela me respondeu já do outro lado da calçada: "Meu filho, estou preocupada com meu filho". Baixinho, pra mim mesmo eu disse: "Que Deus a proteja".
Quarenta minutos depois, a chuva passou, mas foi o bastante pra trasformar a principal avenida da Cidade em um rio de águas barrentas. Notei que o movimento de pessoas aumentava nas ruas conforme a chuva ia embora, despertando a curiosidade daqueles que ia até a márgem da enchente pra assistir a tal atração turistica de perto. As pessoas riam e se divertiam ao ver a avenida que antes passava carros, passando galhos caídos de árvores, caçambas de entulho revirado e acenavam com a mão  para os que assistiam do outro lado da calçada o mesmo rio inusitado, é legal rir de algo que não nos fez mal. Logo a rua Penita, se encheu de carros e pessoas que desciam deles com celulares, prontificados a tirar fotos e filmar, pra guardar de recordação, as imagens de um fato cada vez mais comum nas grandes cidades. Um homem agradecia por não ter acontecido o pior e comparava a enchente que via, com a que destruia casas e famílias no Rio de Janeiro e sua esposa completava dizendo que a natureza já não era mais a mesma, os ventos, as chuvas, cada vez mais intensos, mas daí pensei com meus botões, será que é a natureza?.
Quem me dera me jogar de barriga, sem camisa, e sentir a correnteza me banhar, assim como já fiz na sarjeta em frente de casa.
Com os braços esticados, os turistas casuais gravavam as dobras dágua que a correnteza fazia, movimentando o braço de um lado e outro, os turistas, inclusive eu também.

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