supercrônico
crônicas, contos e poesias
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Aniversário do Super Crônico
No mês de Outubro o blog criado com o objetivo de divulgar crônicas do escritor Vagner Zaffani e o nome de SUPER CRÔNICO completou 1 ano de existência com mais de 16.000 acessos, vários comentários, 145 posts e leitores assíduos, que acompanham e admiram os textos nele escrito.
OBRIGADO
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Nova geração de pais e filhos
Eis uma nova geração de pais e mães antenados nas notícias do mundo e nas mudanças diárias dos próprios filhos, de ensino médio ou superior completo, com perfís nas redes sociais, compartilhando idéias ou trocando músicas via bluetooth com os amigos.Pais de mente aberta que ouve os filhos a perguntar sobre sexo, paquera, futuro, que caminham de roupas íntimas dentro de casa sem perder o respeito.
É uma nova geração de pai que tatua o nome do filho na lateral do anti-braço, em letras góticas ou de convite de casamento, já as mães preferem tatuar um singelo anjo nas costas, com o nome das crias embaixo, e ambos permitem que os filhos tenham sua liberdade de identidade, tendo também tatuagens (depois dos 18 anos), brincos, pierces, cabelos coloridos, orientando-os sobre o que é bom e ruim para vida toda.
São pais jovens, mesmo tendo a idade avançada, que não aceitam educar seus filhos com a mesma educação arcaica e rígida que seus pais lhe deram, provando como é ser pai, ser mãe, com carinho e respeito.
Uma geração de filhas que convidam as mães pra ir pra balada, barzinho, cinema, pois a mãe além de ser mãe, fala a mesma língua da filha e das amigas. Filhos que vai ao shopping com o pai, ensina a jogar guitar hero levam o pai pro 'racha' e com todo orgulho do mundo grita: "Toca a bola pai, toca..."
Geração de mães que trabalham, que ralam, que educam e que vaidosas se cuidam, sem deixar de ser uma ótima mãe. Geração de pais e mães casados, mas alguns separados, solteiros, viúvos, casados com outro do mesmo sexo e vice-verso. De filhos que tem dois pais, duas mães ou cujo a mãe agora é a vó. Lamento pelas mães que abandonam filhos em caçambas de entulho ou no lago da Pampulha. Lamento pelos pais que são apenas pais biológicos e passam a vida ausente dos filhos.
Uma nova safra de pais e mães que incetivam o filho ou a filha à arte e diz: "tocar guitarra é tão promissor quanto ser engenheiro cívil, só depende de você meu filho", e além de tudo tem orgulho do talento do jovem.
Uma geração de pais que permitem ser chamado de "você" ao invés de "senhor", pois ser "senhor" é ser velho, e o pai moderno quer ser tão jovem quanto ao filho, uma vez que pra ele ser chamado de "você" não é falta de respeito.
Uma geração nova que veio pra ficar, que não participei sendo filho, mas que participarei sendo pai, pra ser feliz também.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Dias de calor eterno
São dias de acordar no meio da noite, com o lençol que se arrasta pelos corredores da casa até o banheiro, capturando partículas de poeira pelo chão, grudado nas costas suadas e tomar um banho gelado, depois voltar a cama e ficar no liga e desliga do ventilador, que oras refresca e oras esfria demais. São dias de arrancar a roupa toda, escancarar as janelas e tomar outro banho assim que se levantar pela manhã. Dias de perder a fome, de sentir fadiga, de ir ao clube, píscina, usar boné, chapéu, sombrinha, de virar jarros d´água, tomar refrigerante, caldo de cana, água de coco, suco natural ou cerveja. Dias de tomar banho de mangueira no quintal, de regar as plantas em abundância, dar banho no cachorro da família, lavar o tapete, o carro, chupar picolé de frutas, andar descalço e deitar no chão gelado da sala enquanto assite TV. Pobre são dos cães e gatos, que respiram arduamente com a língua de fora, dentro daquela armadura natural de pêlos.Dias seco e sem chuva, e quando chove a gente sai de encontro a ela, feito Fred Asteur. Época em que os pernilongos atacam em massa, sugando nosso sangue aquecido pelos dias quentes.
Dias que bruscamente muda a temperatura, sem aquela escala de vai de grau em grau pro corpo acostumar-se, já que até então o tempo oscilava entre o calor e o frio.
São dias de calor intenso em plena primavera, aonde o sol lambe seu rosto e aonde é comum ver senhoras sentadas nas varandas, falando de novela, sentadas naquelas cadeiras artesanais de cordinha e ouvir das pessoas enquanto você espera o ônibus da linha Mini Distrito - Cristo Rei dizer: "Mas tá calor hein amigo!"
Eu tinha um amigo professor de Química, que me repreendia toda vez que eu dizia; "Tá calor hein", me dizendo que o calor é a nomenclatura atribuída à energia térmica sendo transferida de um sistema a outro, exclusivamente em virtude da diferença de temperaturas entre eles e que o correto seria dizer: "Esta quente, insuportável", porém o calor existe até nos polo sul e norte.
Calor eu passei quando dormi na casa de Mimí certa vez. É que ela tem um ventilador antigo que você põe na tomada, liga na velocidade 3 e tem que esperar esquentar pra poder ligar, e assim que ele cheirar queimado, você gira as hélices dele com a mão, e ele funcionará até parar denovo e você voltar a girar as hélices, nem os Flinstones usufruia de uma tecnologia dessa, mas era o que nos refrescava enquanto dormíamos.
Moro desde que nascí em São José do Rio Preto-SP, considerada a capital do calor no interior Paulista e noto o quanto as pessoas que vem de fora sofrem com a temperatura da cidade.
São dias em que o sol cospe fogo com raiva e sem dó, de raspar a cabeça, a barba, de se lambuzar de filtro solar, de se bronzear sem querer, de mudar o tom da pele.
Já percebeu que os dias parecem ficar mais longos nos dias de calor intenso, são como se fossem eternos, e você faz a contagem regressiva pra chegar o fim do dia e tomar aquele banho, calçar o chinelo de dedo e deitar no sofá da sala de casa e sem camisa.
São dias de calor eterno
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terça-feira, 4 de outubro de 2011
É o rock matando o rock
O Rock n Roll surgiu nos subúrbios dos Estados Unidos no final entre os anos 40 e 50 e rapidamente se espalhou para o resto do mundo. No começo o novo subgênero do rock, sofreu várias críticas negativas e algumas positivas, mas sempre atrapalhando seus trabalhos. Muitos diziam que o novo rock, incentivava o satanismo. "Todas estas influências combinadas em uma simples estrutura musical baseada no blues que era"rápida,dançável e pegajosa",
E assim, resumidamente, definiram o rock que surgiu com Elvis Presley, Chuck Berris e outros. O rock sempre foi um motivo a se discutir, que vai desde a definição de estilo de tal cantor ou banda, ideologia, estilo de se vestir, à questionar se o indivíduo que toca se dizendo que é rock, é verdadeiro ou não, de pessoas que observam de fora sem entender o gênero, ou de pessoas que pertence a ideologia musical. Sempre foi assim e sempre será.
E nesse periodo de lá pra cá, outras influências foram agregadas ao rock, dando a ele novos estilos, novas tribos e novas maneiras de pensar, ramificando-o com novos nomes, sem deixar de ser rock. Mas muitos, aqueles mais conservadores do gênero, não dão o braço a torcer e prefere pertencer ao rock antigo, como se tivesse congelado no tempo, afirmando que o rock n roll morreu ou adoeceu, como diz meu amigo Hugo Pezatti. Morreu ou colocaram uma pedra em cima? Fazendo que o memso não se desenvolvesse, decretando que o rock só é rock até tal período, e o que vier depois não será considerado.
Sei que as mídias televisivas tem lançado bandas novas sem propósito e sem atitude, que prezam mas pela aparência do que pela musicalidade, mas ninguém pode resumir dizendo que tudo que é novo é igual a essas bandas. Isso é matar o rock, e o rock só morre porque o próprio roqueiro mata, extermina, pisa sem dó em seu corpo estendido no chão dos tempos modernos.
Certa vez parabenizei num post de uma adolescente na rede social, o sucesso de uma banda toda colorida e longe da imagem tradicional do estilo. Apesar de não gostar, sei que o sucesso da banda é oriúnda de muito esforço e da ajuda dos fãs, que ao ouvir e gostar, lançaram-os no mercado, compartilhando links com músicas e vídeos da banda na internet, chamando a atenção de produtores e da indústria fonográfica. O mais curioso, é que muitos que afirmam que o rock morreu e que tudo que é novo não presta, ainda tocam e lutam por um lugar ao sol, ou seja, se daqui a 10 anos a banda deste estoura no mercado musical, será uma banda nova, mesmo tendo influências de bandas antigas. Então no caso, será que podemos afirmar que a banda desse cidadão não é boa por ser nova?
Sabemos que ainda tem muita banda interessante tocando no circuito independente, com ótimas propostas de musica e letra, que investem firme em gravações e divulgações, mas muitos nadam e morrem na maré com o tempo, se vendo vencido pelo cansaço e o sucesso não alcançado; é triste ver aquele seu amigo guitarrista, ótimo guitarrista por sinal, trabalhando no balcão de uma pastelaria ou entregando marmitex, dizendo: "Desisti da música amigo". Não desfavorecendo essas profissões, mas é um desperdício de talento.
Mas enfim, se todos que criticam as bandas novas sem propósito do mercado atual, juntar e fazer com que as bandas independentes de qualidade apareçam, através de exibições nos sites de vídeo e áudio, não iremos mais ver fósseis de músicos na areia da praia.
Basta tirar a faca que mata aos poucos o bom e velho rock n roll
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Pequenos grandes homens
Foi por acaso, enquanto Branca de Neve fugia de um caçador, contratado pela Rainha má, que invejava sua beleza, que a moça, refugiou numa pequena casa na floresta. A casa mesmo cheia de 7 anões, cada um com uma personalidade, distinta uma da outra, mas unidos, pra surpresa da moça, abrigou-a com segurança, em troca de manter a casa que a abrigou limpa. A moça aceitou.Á partir dalí em diante, não só a moça como o mundo todo aceitou a existência dos anões sem preconceito, que antes tinham complexos de inferioridade e por isso, enfrentavam problemas em estabelecer relacionamentos amorosos, mas atualmente, tem conquistado lugares de sucesso não só nas histórias infantis, como também em empregos, faculdades, esportes e na arte em geral.
Nanismo é a condição de tamanho de um indivíduo, cuja altura é muito menor que a média de todos os sujeitos que pertencem à mesma população. Admite-se que se pode chamar de nanismo quando o tamanho de um indivíduo tem uma estatura até 20% inferior à média dos mesmos indivíduos de sua espécie, à mesma idade. Na espécie humana, em termos de adultos, considera-se anão o homem que mede menos de 1,45 metro, e anã, a mulher com altura inferior a 1,40 metro. Mas eles são bem maiores do que isso, cheio de talentos e despontando nos programa de TV brasileira, a ponto de nos fazer passar despercebido a sua condição física de anão. Por exemplo, nos programas de humor como o "Pânico na TV" (Rede TV), "Legendários" (Record) e o programa de auditório, "O melhor do Brasil" (Record), tem em seus elencos anões, sem vergonha da sua pequena altura, que roubam a cena toda vez que aparece. Fora o cantor Nelson Ned que despertou corações na década de 70, embalando canções românticas, os atores americanos Verne Troyer, protagonista do filme "Austin Power e o Homem do Membro de Ouro", Tony Cox que atuou em "Papai Noel às Avessas" e outros. Até na indústria pornô, tem anões e anãs no elenco, pra quem tem fetiche por filmes com esse tipo de atores.
Curioso é uma cidade do interior de Sergipe e a 120km de distância da Capital Aracaju, de nome Itabaianinha, com cerca de um pouco mais de 32 mil habitantes e tem um anão pra cada 300 habitantes. Descoberta, virou tema de um documentário chamado "Terra de Gigantes", da jornalista Ana Paula Teixeira, que mostra alguns personagens anões da cidade, com seus talentos, histórias de vida e muitos sonhos. Tem até um time do Belém - PA, chamado "Gigantes do Norte", formado apenas por anões, que disputam campeonatos, disputando com outros times também de anões do Brasil.
Esses pequeninos e pequeninas, me fez sem querer perceber a invasão destes de uns tempo pra cá, na arte em geral do mundo todo, unindo pessoas pelo talento, independente da diferença de tamanho, quebrando preconceitos social e de quem tem essa condição, dando o ponta-pé inicial, de uma personalidade que se eternizará diante de nossos olhos. Quem sabe alguém crie uma agência de caça-talentos, voltado para artistas anões.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Qualquer um pode ser anjo
Talento pode significar uma vocação ou um dom para alguma atividade ; assim, afirma-se que tal pessoa tem talento para a música, ou pro cinema, ou talento culinário, ou talento para lidar com crianças, ou pra lidar com idosos, talento pra falar em público, talento pra interpretar, pra pintar, desenhar, vender, construir, pra dropar em ondas imensas, no Hawaí ou descobrir paisagens naturais jamais vistas, do nosso país.Talvez o meu Dom seja esse de fazer você ler as crônicas que escrevo mas tem gente que tem o curioso Dom de ser anjo.
Anjo nada mais é do que uma criatura celestial, acreditada como sendo superior aos homens, que serve como ajudante ou mensageiro de Deus, segundo a tradição judaico-cristã; mas naquela tarde de quarta-feira o mensageiro enviado por não sei quem foi uma velhinha que sentara ao banco de um ponto de ônibus próximo a um grande hospital público numa movimentada avenida do centro da cidade, que após me ver atravessar a rua diante de carros velozes que quase me atropelara me disse: "Perca um minuto da sua vida mas não perca a vida em um minuto".
Mal agradeci a velha e continuei o meu trajeto remoendo no meu cérebro a aquela frase.
Na iconografia comum, os anjos geralmente têm asas de pássaro e uma auréla. São donos de uma beleza delicada e de um forte brilho, e por vezes são representados como uma criança, por terem inocência e virtude. Mas aquela era uma anja velha, feia, cheia de rugas, com os cabelos grizalhos, um vestido florido até o tornozelo, com uma faixa de gase enrolada no mesmo pra disfarçar as feridas, encurvada se apoiando em uma bengala, sem asas, sem brilho e longe de ser uma criança, mas que foi o meu anjo do dia.
Nisso passei a notar esse Dom de ser anjo em várias pessoas; quanto mais velho mais talentoso é o anjo.
Até os monstros sociais que se alimentam da ganância, de bens materiais, da inveja e outros também tem o seu momento angelical.
Toda mãe se torna uma anja natural á partir do momento em que pari seu primeiro filho, é automático, guardíã da vida cujo terá que acompanha-lo até ganhar asas e voar sozinho. Logo nos primeiros passos a mamãe diz: "primeiro aprenda a caminhar pra depois correr", e quando cresce e entra naquela fase que na qual deixa a adolescencia pra virar adulto, a mesma mãe guardiã ja adaptada aos fatos atuais, aconselha-o como sempre tem aconselhado:"Use sempre camisinha, não use drogas, olhe bem com quem tu andas". É como se encostassemos o ouvido no peito dela e escutasse essas frases todas vindo la de dentro.
Certa vez, diante de uma moça que chorava a soma de tragédias passadas de sua vidas, fora a dor da solidão e algumas doenças que lhe aflige, me aproximei e disse: "vire a página e escreva você mesmo o final feliz do seu livro vital". Poxa, saiu sem querer, quando vi já tinha falado, não sei se ela entendeu, não sei se soou bonito, só sei que saiu como um disparo acidental do coração e era o máximo que eu podia fazer até então, embora eu não sou médico, nem psicólogo, nem nada.
Nisso passei a notar esse Dom de ser anjo em várias pessoas; quanto mais velho mais talentoso é o anjo.
Até os monstros sociais que se alimentam da ganância, de bens materiais, da inveja e outros também tem o seu momento angelical.
Toda mãe se torna uma anja natural á partir do momento em que pari seu primeiro filho, é automático, guardíã da vida cujo terá que acompanha-lo até ganhar asas e voar sozinho. Logo nos primeiros passos a mamãe diz: "primeiro aprenda a caminhar pra depois correr", e quando cresce e entra naquela fase que na qual deixa a adolescencia pra virar adulto, a mesma mãe guardiã ja adaptada aos fatos atuais, aconselha-o como sempre tem aconselhado:"Use sempre camisinha, não use drogas, olhe bem com quem tu andas". É como se encostassemos o ouvido no peito dela e escutasse essas frases todas vindo la de dentro.
Certa vez, diante de uma moça que chorava a soma de tragédias passadas de sua vidas, fora a dor da solidão e algumas doenças que lhe aflige, me aproximei e disse: "vire a página e escreva você mesmo o final feliz do seu livro vital". Poxa, saiu sem querer, quando vi já tinha falado, não sei se ela entendeu, não sei se soou bonito, só sei que saiu como um disparo acidental do coração e era o máximo que eu podia fazer até então, embora eu não sou médico, nem psicólogo, nem nada.
Ela me sorriu e disse retribuindo com um beijo no meu rosto:"você é um anjo". A príncipio encarei como um elogio, uma vez que ela era bonita e doce, mas depois pensei: " No caso, hoje o anjo sou eu", ria comigo mesmo e os pensamentos prosseguiram: "Qualquer um pode ser anjo". Tanto pobre quanto rico, gordo, feio, velho, jovem, vistoso, mal trapilho ou bem vestido, embriagado ou sóbrio, perambulando pelas ruas ou no sofá deitado assistindo Tv, na feira, na escola, no trabalho, na fila do banco, na praça, ou seja, todo mundo é anjo de alguém, é um dom natural até dos demônios.
Texto escrito no dia 25 de Dezembro de 2010 e reeditado dia 13/11/11
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
O invasor
O invasor surgiu quando nos acordava de madrugada andando pelo telhado, aparentando ser um garoto pesado de alturas medianas, um leviano de bermuda e boné, um gatuno que invade as casas na calada da noite preta, e dorme entre o telhado velho de cerâmica e o forro de sarrafo.Pula do alto do telhado em parafuso até cair em pé no chão, rouba a carne à temperar da pia e sai correndo de volta, levando cintadas no lombo pra cima do telhado e, sem temer, espreita por várias vezes, pra descer denovo e roubar a mistura da família, cujo teve a casa invadida. Ele nos olha de cima, como se dissesse "o telhado é meu, nãoa dianta... Hahahahahaha!!!".
Com o tempo ele perdeu o medo, enfrentando o crime de frente, sem medo de levar outras cintadas na região lombar, rasteiro, entre as pernas cansadas de quem varre os pelos que cai do seu corpo, pra cometer mais um furto e dessa vez correr pro quintal mesmo, pra depois deitar de barriga cheia e nos olhar, se lambendo, como se dissesse: "o quintal também é meu". Oras bolas, aquela criatura sapeca nos vencia aos poucos pelo cansaço, enquanto bolavamos um plano para pega-lo e despejá-lo, entregando-o pra alguma organização que cuide do caso em especial, sem machucá-lo.
O meliante se tornou de presença comum, como as árvores do quintal, como os carros que transitam na rua diante do portão fechado, tanto que ao ouvir seus passos pesados no telhado, a dona da casa gritava e pedia pra esperar passar o almoço, pra jogar lá em cima o que sobrava, e o gatuno obedecia. Ás vezes descia e esperava na porta do lado de fora, e depois que comia deitava esparramado no chão frio, com olhar de preguiça que dizia: "A sala também é minha, tá tudo dominado".
Certa vez, depois de muito tempo, o homem que a perseguia com um cinto em punho, levantou uma bandeira branca enrolada num cabo de vassoura e pediu paz, e a mulher que varria cansado os pelos que caiam do corpo do infrator disse: "O invasor é fêmea, e vamos chama-la de Nina" .
O invasor dominou territórios e conquistou todo mundo.
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